Gravidez de gémeos: os gémeos verdadeiros e os falsos

É sempre o que se pensa quando se tem conhecimento de uma gravidez de gémeos ou se vêem gémeos. São crianças a dobrar. Mas serão mesmo?

Alguns dos irmãos gémeos são mesmo duplos, oriundos de um único óvulo fecundado, que depois se divide, tratando-se neste caso de gémeos verdadeiros. Mas como tudo na vida, aqui também entram os falsos, neste caso gémeos que nada têm em comum, excepto o facto de terem sido concebidos ao mesmo tempo. No primeiro caso, os gémeos são conhecidos por monozigóticos e os segundos são designados por dizigóticos.

Os gémeos dizigóticos (gémeos falsos)

Os gémeos verdadeiros, cerca de um terço dos que nascem, são o resultado da fertilização de um só óvulo por um só espermatozoide, que se divide em duas massas celulares com material genético idêntico, resultando daí duas crianças do mesmo sexo e com o mesmo grupo sanguíneo.

Gémeos dizigóticos são aqueles, mais comuns, que resultam da fertilização de dois óvulos diferentes por dois espermatozoides diferentes, que têm informação genética igual a quaisquer outros irmãos nascidos em alturas diferentes, sendo normalmente um rapaz e uma rapariga, com informação genética diferente. Durante a gravidez têm um saco amniótico e uma placenta individual.

Os casos de nascimentos de gémeos dizigóticos variam consoante vários factores, sendo mais frequentes nas mães de raça negra e mais raros nas mães orientais. Com o aumento da idade da parturiente e o número de gravidezes anteriores, aumenta também a frequência de nascerem gémeos dizigóticos.

Os gémeos monozigóticos (gémeos verdadeiros)

No caso dos gémeos monozigóticos a placenta varia consoante a fase em que ocorreu a divisão do óvulo. Se tal aconteceu nas 72 horas seguintes à fertilização, formam-se duas placentas, a exemplo do que acontece com os gémeos dizigóticos.

Quando a divisão ocorre entre o quarto e o oitavo dia é mais provável que se formem dois embriões, dois sacos amnióticos mas apenas uma placenta. Depois do oitavo dia, resultam dois embriões, um saco amniótico e uma placenta, um caso dos mais raros e que exige uma maior atenção em cuidados pré-natais.

Os gémeos monozigóticos têm uma frequência de nascimento que ronda os 3,5 por cada 1000 nascimentos.

Uma gravidez de gémeos porquê?

  • A estimulação da fertilidade em casais inférteis e o consumo de contraceptivos orais aumenta a incidência de nascimento de gémeos. No primeiro caso a indução da ovulação com clomifeno aumenta as hipóteses de gravidez gemelar entre 6 a 18%. Se o tratamento é feito com a indução de gonadotrofinas, aumentam as hipóteses para 18 a 50%.
  • No segundo caso, a concepção pouco tempo após a paragem da toma da pílula aumenta o número de gravidez de gémeos, sobretudo se a fertilização ocorrer no espaço de um mês.
  • E como não podia deixar de ser, a hereditariedade também é um fator a ter em conta, e existem mais probabilidades de nascerem gémeos se a mãe for também fruto de uma gravidez gemelar, do que se o pai for um gémeo.

Em Portugal cerca de um por cento das mulheres grávidas são casos de gravidez de gémeos, e longe vão já os dias em que os gémeos eram alvo de perseguições como seres diabólicos ou faziam parte dos circos que apresentavam anomalias humanas. Apesar de se tratar de um fenómeno biológico já poucos segredos acarretam consigo.

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