Já sou mãe. E agora?

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Testemunho
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Alegria, ansiedade, expectativa, mas também hesitações, dúvidas e inseguranças. Foram nove meses de muitos sentimentos ambíguos, em que o crescimento da barriga era proporcional ao aumento das incertezas e da angústia: “irei ser uma boa mãe?”, “estarei preparada para tão grande responsabilidade?”, “conseguirei comportar-me como o meu filho espera e merece?”. Estas e muitas outras questões assombram o pensamento de qualquer futura mamã.

Mas os nove meses passaram num ápice e o grande dia chegou. De bebé adormecido nos braços, e ainda na desconfortável estadia na maternidade, todas as mulheres se encontram, de repente, face à maior de todas as dúvidas: “já sou mãe. E agora?”.

Antes de mais, convença-se do seguinte: o seu bebé não precisa mais do que continuar a viver no seu mundo, no mundo em que viveu durante nove meses. E esse mundo é você!

Não é à toa que os bebés conseguem reconhecer as vozes das suas mães mal nascem. São elas, aliás, as suas maiores e principais referências neste mundo onde os bebés já não estão protegidos do frio e do calor, onde têm de pedir para ser alimentados e onde as dores surgem, na maioria, pela primeira vez. Por isso, tenha a certeza de que, numa primeira fase, apenas necessita de amar verdadeiramente o seu filho para conseguir ser uma “boa mãe”.

É certo que todas as mães desejam o melhor para os seus bebés, sobretudo quando o “melhor” depende delas próprias. E, se dispõe de boa saúde e a sua disponibilidade lho permite, nada melhor do que começar por amamentar o seu filho ao peito. As mães que o fazem garantem que é o melhor e mais profundo laço que se pode estabelecer com os bebés de tenra idade.

O leite materno é, sem dúvida, o alimento perfeito para qualquer bebé, contendo todos os nutrientes de que os seus frágil corpos necessitam para enfrentar todas as “agressões” que os esperam fora do ventre das suas mães. Além do mais, acredite que a amamentação é a melhor forma para recuperar a linha e o peso que tinha antes de engravidar – vai, inclusivamente, notar algumas contracções uterinas nos primeiros dias da amamentação, que não são mais do que o seu útero a “lutar” para regressar ao que era nove meses atrás.

E não se esqueça de que nenhum bebé vive regido pelos ponteiros do relógio: não há horas nem intervalos certos para as refeições. O bebé deve comer sempre quando quer e a quantidade que lhe apetece. Não estabeleça horários nem limites às refeições.

Mas ser mãe não é apenas amor e cuidados. Também acarreta sempre algumas complicações e situações menos agradáveis, com as quais é preciso aprender a lidar. Um bebé, e sobretudo um recém-nascido, pode chorar insistentemente sem nenhum motivo aparente (ou, pelo menos, sem que os seus inexperientes pais o consigam entender) ou, ainda, resolver passar noites acordado, sem o mais pequeno vestígio de sono. E não julgue que ele fica desperto sem a companhia de um adulto disposto a trocar algumas horas de sono por uma noite de espertina total.

Ser mãe é com certeza a mais gratificante das experiências, mas deverá ser também uma das mais duras – a mulher é permanentemente colocada à prova, nas suas mais diversas condições: enquanto mãe, enquanto mulher, enquanto profissional…

Mas o melhor conselho que se pode dar a quem quer saber como ser uma boa mãe é… não procure conselhos! Ser mãe é uma realidade altamente subjectiva e pessoal, em que não há regras nem receitas. Cada mulher deve fazer aquilo que realmente sente como sendo o mais correcto, tendo sempre em mente os princípios básicos dos cuidados a ter com um bebé. E não deve, sobretudo, esquecer que é à custa de erros e sucessos que se aprende a cuidar de qualquer criança. Por mais filhos que se tenha…

Alda Benamor

Bibliografia utilizada:
O Grande Livro da Criança
T. Berry Brazelton
Editorial Presença

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