Infantários (a verdadeira realidade)

Relativamente a infantários devo reconhecer a triste verdade com que somos confrontados. A minha filha tem 30 meses e sempre esteve com a mesma ama desde os 5 meses. Esta ama é uma pessoa da família e tenho plena confiança nela.

Esta confiança vem do facto desta pessoa ser Tia da minha filha, pois creio que caso fosse alguém estranho, estaria sempre a duvidar se realmente a criança comeu, se realmente ela dormiu, se realmente caiu ou foi maltratada, etc. Posso dizer que esta ama é o meu descanso.No entanto, a ama da minha filha engravidou, e logo tive que pensar em quem ficar com a criança durante os últimos meses de gravidez e nos primeiros meses do bebé.

Foi um martírio, confesso! Corri tudo o que era creche, infantário, externato, ludoteca, etc. Vi determinadas condições que mais pareciam hospitais em tempo de guerra: desde camas e cadeiras enferrujadas, a salas brancas pequenissimas com meia duzia de brinquedos.

Vi crianças tristes, paradas, que metiam dó – estavam literalmente à espera que o dia passasse e os pais as viessem buscar. Tudo isto a pagar sempre balúrdios. Posso dizer que o único que me encantou realmente, em que tudo era mimoso e pequenino foi uma creche onde teria que pagar quase 500 €. Acho inadmissivel, ter que pagar uma exurbitancia destas para que os nossos filhos tenham um dia-a-dia condigno…..

Por fim acabei por ceder a uma outra creche perto de casa, que tinha aberto há poucos meses atrás. As condições eram excelentes. As instalações eram novinhas e estavam todas muito bem equipadas e decoradas. Combinei para ver durante o horario de funcionamento e realmente gostei tanto eu como a minha filha, que inclusive chorou para vir embora.

Eram 15 crianças ao todo e disseram-me que tinham 2 educadoras e 3 auxiliares. Quando chegou o grande dia, a minha filha ficou super bem logo de manhã. Entreguei-a perto das 08h30 e apenas estava uma auxiliar. Disse que as educadoras deveriam estar a chegar. Até aqui tudo bem!

Quando cheguei ao trabalho, perto das 09h30 resolvi telefonar para saber como estava a situação. Liguei e perguntei por uma das educadoras. Pois bem, quem vem ao telefone foi a auxiliar que disse que elas deveriam estar a chegar (ainda? passado 1h).

A minha filha entretanto já tinha vomitado 2 vezes, já tinha utilizado a roupa suplente e estava já com a roupa de uma outra criança, sem sapatos, pois tinha-os sujado com o vómito. Estava então sentada numa cadeira. Disse que ela não falava com ninguém, nem queria brincar, apenas soluçava e chamava pela mãe.

O meu coração partiu-se ao imaginar a minha pequenita naquela situação, e apenas 1 mulher para cuidar dela junto com mais 15 miudos. Liguei ao meu marido que foi levar-lhe uma muda de roupa e sapatos. Liguei perto do almoço para saber como estava então a situação. Atendeu-me novamente a auxiliar. Explicou-me, então que a educadora, afinal, não iria trabalhar naquele dia e já lá estava uma outra auxiliar. No entanto apenas 2 pessoas.

A minha filha tinha vomitado novamente e não tinha querido almoçar. Foi a gota de água para mim. Meti-me a caminho para ir buscar a minha filhota.
Quando lá cheguei já a pequena tinha adormecido após tanto chorar e com o estomago colado às costas. Acordei-a e levei-a para casa. À noite foi vê-la comer. Durante o resto da semana todos os dias este ritual repetiu-se.

O facto dela chorar e vomitar eu até já estava à espera, pois seria lógico ela rejeitar o infantário, pois era tudo novo para ela. O que eu não consigo aceitar foi no espaço de uma semana eu nunca ter posto a vista em cima de 1 educadora. Foram sempre 2 auxiliares que estiveram com as 15 crianças. De manhã, estava sempre só 1 auxiliar, pelo que nunca ninguém vinha agarrar a minha filha para levá-la para dentro e ambientá-la.

A partir do 2º dia foi sempre eu a sair por um lado e a minha filha a gritar pelo outro. Nunca ninguém lhe deu especial atenção por serem os primeiros dias, por isso passou a semana sempre sentada a um canto. Quando eu cheguei a buscá-la na 6ª. Feira (ao fim de 5 dias) a minha filha estava amarela. Parecia uma criança doente. E ninguém puxava por ela. Posso dizer que numa semana, nem um copo de água ela gastou no infantário. Quando confrontei a directora com as faltas de pessoal verificadas, disse-me que nunca tinha mencionado 5 pessoas, que era apenas 1 educadora e 2 auxiliares. Nessa semana, por azar, a educadora teve que faltar.

Acabei por retirá-la do infantário nessa mesma semana pois ela próprio chourou à noite a pedir para ir para a Tia. Cedi e acabei por coordenar com a minha sogra e ela passou a ficar com ela durante uns quantos meses. Também vomitou nos primeiros dias, também chorou, também chamou pela mãe, mas quando eu chegava ao fim do dia ela estava a brincar toda contente. Isto paga tudo!

Agora já voltou para a Tia, e ao fim do dia chora sempre para se vir embora.
Lá está bem. tem mais 3 amigas para brincar. Ela é a mais novinha de todas e isso faz com que ela se desenvolva bastante.

Já largou a chucha e deixou as fraldas. Estou super contente. Dali só sairá para a pré-primária, quando fizer os 4 anos.

Acredito que existam sitios diferentes nos quais existam pessoas com consciência e verdadeiro amor pelas crianças. Mas como o mundo está hoje, desconfiamos de tudo e de todos, e quando se trata de crianças que ainda não contam cá para foram o que lhes acontece durante o dia, então passa-nos tudo pela cabeça, pois a verdade é que há pessoas para tudo.

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