O Tubarão

Era um grande tubarão / um bicho sem coração /que andava um dia a nadar / viu um peixinho e pensou: “ Olha só! / Mas que peixe mais bonito / p’ra me servir de jantar”.

Era um grande tubarão / um bicho sem coração /que andava um dia a nadar / viu um peixinho e pensou: “ Olha só! / Mas que peixe mais bonito / p’ra me servir de jantar”.

Era um peixinho assim: / quase, quase a ser comido / pelo tal de tubarão… / Como é que vamos fazer / se o tubarão quer comer / e é bicho sem coração ? /

– Vou-te comer, ó peixinho. / É pena não seres maior. / Seres assim pequenininho…./

– Meu caro e grande senhor / como é que me vai comer? Frito, grelhado ou cozido?

– Queres lá ver! / Peixe burro como tu / nunca vi na minha vida…/ Vou-te comer vivo e cru / é assim mesmo que eu gosto / de comer toda a comida./

– Senhor tubarão, eu aposto / que não conhece um segredo / é que os reis do mundo inteiro / não comem sem cozinheiro / que lhe faça esse serviço… /

– E que tenho eu com isso? /

– O Senhor é rei do mar./ É ou não é tubarão? /

– Lá nisso tu tens razão.

– Então: / Como é que me quer comer? / frito, grelhado ou cozido…/

– Como é que eu hei-de saber ?/ Nunca fritei nem comi / nunca grelhei, nem cozi…/

– Mas eu posso-lhe ensinar./ Vá buscar lenha primeiro: / depois acende-se o lume. /

– Mas aqui no meio d’água /como é que eu posso acender? /

– Quem é rei, tem de poder…/

E lá anda o tubarão / às voltas a procurar / a panela p’ra cozer / o óleo e a frigideira / para conseguir fritar / ou brasas bem acendidas para fazer um grelhado./

O peixinho aonde está ?/

Com o tubarão às voltas / nem até já /nem boa noite / nem sequer muito obrigado/ fugiu. / Escapou de ser jantado / p’lo parvo do tubarão / que é um peixe burro e malvado/ e que não tem coração. /

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