História do Homem do saco

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História do homem do saco
História do homem do saco

O dia tinha sido lindo, com um sol quente e um céu muito azul. Todos nós tínhamos jogado á bola, corrido muito, enfim brincamos até não pudermos mais.

Combinamos que depois de jantar nos reuniríamos para contar histórias. Como me lembro bem deste dia!  Vou contar como foi, estou ficando muito curioso. Bem, o nosso dia já havia sido perfeito com tantas brincadeiras.

Fomos chegando um a um, já de banho tomado, com uma boa refeição no estômago. Sentamo-nos na beira da calçada por debaixo de uma enorme árvore, ficando assim a noite mais escura.

– Que vamos fazer então?
– Jogar ás escondidas? Ah, isso não – responderam todos.

Depois de muita discussão, chegamos à conclusão de que seria melhor contarmos histórias. Foi então que ouvi a história do homem do saco.

Era uma família de três irmãos, o pai e a mãe. Moravam numa residência muito graciosa. Não lhes era permitido juntarem-se aos garotos que brincavam na rua. “Por que?” Bem não sei muito bem, mas o pai era uma pessoa muito diferente dos outros pais.

Nunca ninguém ia brincar na casa e as portas e janelas raramente se abriam. Às vezes conseguia perceber-se que havia alguém por detrás da janela a espreitar, mas nada se sabia. Tinham um cachorro grande, muito feio, que rondava a casa dia e noite, e nunca latia.

Naquele tempo recebia-se carvão em casa e pedras de gelo para a geladeira e até mesmo leite em garrafas especiais. O gelo chegava numa carrocinha sempre pingando, e era atirado pela porta. O leite ficava no portão do lado de fora da casa.

“Espera um pouco, ninguém levava?”.
“Não, nunca soube disto”.

Mas, continuando, o carvão vinha em sacos especiais. Conta-se que certo dia, ao chegar a casa, antes mesmo que deixasse o saco do carvão, o carvoeiro ouviu um choro sentido, que vinha lá de dentro.

Parou e ficou á escuta. Não precisas de chorar mais, dizia alguém. Ele logo se irá embora.
– Tenho medo dele – suspirava a criança.
– Para, senão ele não se vai embora.

Fez-se um silêncio e o carvoeiro deixou o saco no lugar e partiu. Ficando intrigado com o sucedido, pensou:
“- Da próxima vez vou ficar à escuta para ouvir do que é que a criança tem medo. Será que é de mim”?

E assim foi. Deixou o saco de carvão, fez de conta que se ia embora e não foi.
– Pronto – dizia alguém lá dentro – ele já se foi.
– Você viu? Ele traz o saco nas costas e fica á espera, se saires ele
agarra-te e leva-te embora dentro do saco.
– Ele é o homem do saco.

O pobre coitado ficou ali ouvindo, atônito! Credo, como é que alguém pode dizer uma coisa destas a uma criança? pensou. Voltou para carvoaria e no final do dia depois de um bom banho, foi falar com o polícia da cidade.

Narrou o sucedido, e os dois foram até á casa. Bateram na porta, bateram e nada de abrirem. Finalmente, depois de muita insistência, apareceu o dono da casa. O polícia repreendeu-o e à sua mulher também. Chamaram as crianças e apresentaram o homem do saco e contaram toda a verdade.

Daí em diante, aquela casa ficou conhecida como “a casa do homem do saco”. Até hoje ainda existem pessoas que gostam de assustar as crianças com esta história:

Um dois três…
O último que ficar,
O homem do saco vai levar…

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