Era uma vez uns perus para o seu juiz

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Era uma vez uns perus para o sr. juiz

Era uma vez seu Porfírio que não mandou uns perus pro Juiz. Era uma vez seu Candinho que mandou uns perus para o juiz. Vizinhos de cerca, colegas de escola, vagos parentes.
Seu Porfírio, briguento como ele só.

Brigava com os parentes por causa de heranças, brigava com os vizinhos por causa de limites de terras, brigava até com os filhos por causa de dinheiro.

Seu Candinho, o contrário. Amigo de todo mundo, resolvia seus problemas com conversas, com prosa, com jeitinho.

Um dia seu Candinho recebeu uma herança de um parente afastado Seu Porfírio ficou morrendo de inveja. Começou a falar mal de seu Candinho a todo mundo:

– Bonzinho? Pois sim! Estes são os piores…

Seu Candinho fez que não sabia e foi vivendo. E cada vez seu Porfírio ficava com mais raiva de seu Candinho. Então seu Porfírio inventou que o riacho que passava pelas duas fazendas era dele só e desviou o curso do riacho. Seu Candinho ficou sem água.

Aí seu Candinho ficou zangado. Procurou o advogado dele, doutor Alex, e mandou uma ação em cima do seu Porfírio.

A demanda se arrastou, com uns tais de embargos, e umas tais de ações suspensivas, umas tais de peritagens, uns tais de recursos, até que o julgamento foi marcado. Seu Candinho foi procurar o advogado:

– Seu doutor, o senhor não achava bom se a gente mandasse aí uns perus para o seu juiz? Será que não facilitava as coisas?

O advogado botou a mão na cabeça:

– Que é isso, seu Candinho? O juiz é o doutor Honório, o juiz mais severo do estado! Se o senhor manda um presente pra ele, ele é capaz de dar ganho ao seu Porfírio só para mostrar como ele é honesto…

Seu Candinho saiu dali pensando… No dia do julgamento estava todo mundo nervoso. Menos seu Candinho:

– Não se preocupem, nós vamos ganhar. Podem ter certeza… Não carece de ninguém ficar nervoso…

Doutor Honório chegou de cara fechada, como se estivesse zangado com alguma coisa, não cumprimentou ninguém. O julgamento foi rápido e realmente seu Candinho ganhou.

Seu Porfírio foi condenado a pagar um dinheirão ao seu Candinho e ainda teve de voltar o rio para onde ele estava. Seu Candinho deu uma bruta festa para comemorar.

E então, com um sorriso muito malandro, ele perguntou ao doutor Alex:

– Viu como foi bom mandar uns perus pro juiz?
– O quê? O senhor mandou os perus pro juiz?
– Mandei sim, doutor, mandei sim. Só que eu mandei no nome de seu Porfírio…

E assim, era uma vez o seu Porfírio castigado por tanto mal ter feito…

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