Dona Magnifica

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Dona magnifica

Nada era bom demais para a Dona Magnifica.  Ela morava numa casa imensa, cercada de enormes jardins. Ela dormia numa cama enorme, com lençóis e fronhas de seda. Ela tomava banho numa banheira de ouro e comia em louça de prata.

Ah, ela era magnifica!

Pelo menos era isso que ela pensava. Dona Magnifica achava-se a maior. E, realmente, ela só pensava nela.

Um dia, enquanto passeava pelo seu jardim, Dona Magnifica descobriu uma portinha num dos muros. Ela nunca a tinha visto antes.
– O que será que existe aqui? — pensou ela e, abrindo a porta, passou para o outro lado.

Ela viu-se numa estrada. E lá veio o Sr. Pequeno, que estava a passear.
– Bom dia! — cumprimentou ele educadamente, erguendo o seu chapéu.

Dona Magnifica empinou ainda mais o seu nariz e passou por ele como se ele não existisse.
– Que homenzinho vulgar — pensou.

Ela chegou a uma paragem do autocarro. Sr. Feliz e Sr. Sonhador estavam á espera do autocarro para irem à cidade.
– Olá — disse, sorrindo, Sr. Feliz. — Quem é você?
– Eu sou Dona Magnifica! — respondeu.
– Ah — disse o Sr. Feliz.
– Você vai apanhar o autocarro? — perguntou o Sr. Sonhador.
– Eu? O autocarro? Nunca! Eu — continuou — nunca, jamais em toda a minha vida andei de autocarro!

Ela fez uma cara de nojo.
–  Temos que nos sentar ao lado de outras pessoas no autocarro — continuou – e isso é horrível!
– Ah, — disse o Sr. Feliz, e coçou a cabeça.

Ele não sabia o que dizer. Dona Magnifica foi-se embora, com o seu nariz empinado. Dona Magnifica chega à cidade. Ao passear pelas ruas ela mirava-se em todas as montras das lojas. E pensava consigo mesma: — Realmente, eu estou magnifica.

Aí, algo lhe chamou a atenção. Ali, no centro da montra da loja dos chapéus, havia um chapéu. Não um chapéu qualquer. Um chapéu e tanto! O chapéu mais magnífico, sumptuoso, desejável, lindo, espetacular e esplêndido que já se viu. Dona Magnifica entrou na loja.
Ela estalou os dedos e uma vendedora correu para atendê-la.
– Bom dia Madame — cumprimentou a vendedora.

Dona Magnifica ignorou-a.
– Posso ajudá-la?
– Eu desejo experimentar o chapéu da vitrine! — anunciou Dona Magnifica.

Dona Magnifica olhou-se no espelho.
– Magnífico — suspirou. — Estou absolutamente magnífica — Vou levá-lo — declarou.
– Mas, a senhora não quer saber quanto custa? — perguntou a vendedora.
– Quanto custa? — perguntou Dona Magnifica altivamente. — Eu nunca discuto assuntos de dinheiro!

Mande-me a conta. E ela marchou para fora da loja. Dona Magnifica parou na calçada e levantou a mão.
– Táxi! — gritou com uma voz importante. um táxi parou.
– Leve-me para casa — ordenou e entrou no táxi. Mas claro que não conseguiu. O seu chapéu novo era grande demais para entrar pela porta do táxi.
– Motorista — disse ela – devia comprar um táxi maior!

Enquanto isso — ela continuou — eu vou a pé!  O motorista sorriu. Dona Magnifica continuou a andar.
– Talvez seja melhor mesmo eu ir a pé — pensou. — Assim todos terão a oportunidade de admirar o meu magnífico chapéu novo.

Mas aí,… aconteceu o inesperado! Começou a chover! E o pior é que a chuva ia apertando, cada vez chovia mais. E o pior é que quanto mais chovia, mais Dona Magnifica se molhava. E o pior é que quanto mais molhada ficava, mais molhado ficava o seu chapéu também. Que cena triste! Você não acha?

O autocarro que regressava da cidade, passou por ela. Sr. Feliz e o Sr. Sonhador, que voltavam para casa bem sequinhos, olharam pela janela.
– Olhe ali! — comentou o Sr. Feliz, olhando pela janela aquela figura triste que se arrastava na chuva. — Que figura magnifica!

O Sr. Sonhador deu uma risada.
– Magnifica — concordou ele.

Dona Magnifica que não parecia nada magnifica, chegou finalmente a casa. Todavia, após um bom banho quente na sua banheira dourada e após um ovo quentinho num potinho dourado, comido com uma colher de prata, ela sentiu-se muito melhor. De fato, mais tarde, ela passou uma noite muito agradável, olhando para… Bem. O que acha que ela ficou a olhar durante toda a noite? Não! Não era a televisão. Era para si mesma! No espelho.

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