A Bela Adormecida

Era uma vez, um rei e uma rainha que tinham um enorme desejo: ter um filho. Tiveram de esperar vários anos até que, finalmente tiveram uma menina. Os pais ficaram muito felizes e, pediram a sete fadas para serem madrinhas da sua pequena princesinha. Como o costume era cada uma das fadas conceder um dom, a sua filha seria a princesa mais perfeita do mundo.

Já na festa do baptizado, cada fada-madrinha recebeu um prato, um garfo e uma faca em ouro. Tudo parecia estar a correr bem, até que entrou na sala uma oitava fada, muito velha e feia. O rei prontamente declarou:

– Há cinquenta anos que ninguém a via! Como não sabia onde estava, não a pude convidar e, agora também não pode ficar na festa! Infelizmente, eu não lhe posso dar um prato, uma faca e um garfo em ouro, porque só mandei fazer sete.

A fada velha resmungou:

– Isso é um insulto! Eu ainda sou uma fada, tal como as outras!

Observando que a fada velha estava muito zangada e, para desfazer alguma maldade que ela fizesse, a fada mais nova escondeu-se, deixando assim a sua prenda para o fim. Quando a festa acabou, as fadas ofereceram as suas dádivas à princesa bebé:

– Eu te dou o dom da beleza!

– Já eu, te concedo o dom da sabedoria!

– Eu ofereço-te o dom da graciosidade…

– Declaro que serás uma excelente bailarina!

– Terás sempre uma bela voz e, vais ser uma magnífica cantora!

– No teu longo percurso, serás uma artista de renome…

Com grande rancor e fúria, a fada velha disse:

– A princesa vai picar um dedo num fuso e, morrerá!

Todos ficaram apavorados, até que a fada mais nova apareceu e declarou: Isso não vai acontecer, a princesa não vai morrer! Quando ela se picar no dedo, cairá num sono profundo, durante cem anos. Aparecerá um príncipe, que a acordará! Mesmo assim, o rei ficou com receio:

– Ordeno que sejam queimados todos os fusos que existam no reino, imediatamente!

E, assim foi. Durante muito tempo a menina, foi crescendo livre de perigo. Um dia, já com dezoito anos, a princesa viajou com os pais até um reino próximo. Ao dar um passeio sozinha pelos campos, encontrou uma casa com a porta aberta. Aí estava uma velhinha, a fada má disfarçada, com uma roca e um fuso.

A princesa disse:

– Estes são objectos que nunca vi! Posso experimentar?

– Claro que sim, minha menina! – disse a velha manhosa.

A princesa, sem saber de nada, estendeu a mão, tocou no fuso, picou-se no dedo e, desmaiou…  Quando foi encontrada e levada para o seu castelo, os seus olhos já não se abriam, mas ela continuava a respirar, ainda que devagarinho. Ao ver que, a maldição se tinha concretizado, o rei, emocionado, ordenou:

– Levem a minha querida filha para o seu quarto!

Já deitada na sua cama bordada a ouro e prata, a princesa parecia um anjinho a dormir. A mais nova das fadas soube o que tinha acontecido e, foi para o castelo: A princesa vai dormir em paz, mas com a minha varinha vou tocar em todos os seres vivos, para que eles durmam com ela!

Os reis e todos os que estavam naquele castelo, criados, soldados, cavalos e até os cães, adormeceram também. Cem anos passaram… e o reino estava ainda adormecido.

Um príncipe, que vivia num reino distante, ouviu histórias sobre uma bela princesa que dormia há muito tempo naquele castelo, à espera de um príncipe que a iria acordar. Com o coração a bater pela bela rapariga que o esperava, decidiu partir até lá. No entanto, a fada má, transformada em dragão, aguardava-o:

– Tu não vais ao castelo. Isso nunca vai acontecer!

Mas o príncipe, só a pensar no seu amor, arranjou forças suficientes para conseguir derrotar o dragão, que acabou por morrer. Ao chegar ao castelo, este estava coberto por uma mata de silvas e de espinhos que, misteriosamente, abriu-se para deixar passar o príncipe:

– Ah!!! Tantas pessoas no chão! Parece que estão mortas, mas afinal estão num sono profundo! Mas onde está a minha amada?

E o príncipe entrou, em todos os quartos até que, encontrou a princesa deitada. Ele caiu de joelhos e, emocionado declarou:

– A minha princesa é tão bela! – e deu-lhe um beijo.

– És tu, meu príncipe? Esperei tanto tempo por ti! – disse ela a sorrir.

Entretanto, pelo castelo os reis e todos os outros iam acordando ficaram muito felizes. Nessa mesma noite, chamaram o padre e toda a família do príncipe, para ser celebrado o maior casamento alguma vez visto e realizado no reino. Envolvidos num grande abraço, unidos de amor um pelo outro, o príncipe e a princesa viveram felizes para sempre!…

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