É altura de pensar em colocar o seu filho num local onde possa desenvolver as suas capacidades antes de entrar para a escola, ou chegou o ano em que a matrícula escolar será feita pela primeira vez. A partir de agora é com ele e com o educador.

Por todo o nosso país existem Escolas Superiores de Educação para formar educadores e professores. No entanto, ainda existem educadores que se encontram desfasados da realidade actual e, ao invés de procurar conhecer as crianças com quem trabalham e as suas necessidades especiais, acham mais prático classificá-las simplesmente como "atrasadas" e encaminhá-las para o ensino especial.

Antes de uma criança ser classificada como necessitando de ensino especial, o educador deve ter em atenção o comportamento desta face aos desafios que lhe são colocados e os motivos de determinadas respostas aos estímulos. Só então, e conversando com os pais, se poderá chegar a esse tipo de solução.

Uma criança alegre, que brinca e quer chamar a atenção, pode não responder logo quando lhe perguntam de que cor são as árvores ou não saber representar o céu e as nuvens, mas isso não significa que seja "atrasada".

Algumas vezes é por culpa de educadores sem muita paciência e ainda menor vocação, que crianças, perfeitamente normais e até com quocientes de inteligência elevados, são relegados para o ensino especial.

A criança imita os adultos que admira e o educador está nessa lista, porque é com ele que a criança passa muito do seu tempo. Se este não lhe presta a devida atenção (embora seja preciso ter em conta que não poderá ser a atenção completa, porque esta tem de ser dividida com as outras crianças), ou se não é valorizada, muito dificilmente a criança terá motivação e confiança para desenvolver as suas capacidades com segurança, mergulhando numa sensação de fracasso.

Ao mesmo tempo, a criança vai criar um sistema de bloqueamento que não lhe permitirá responder às questões do educador, e o que surge não é um problema de aprendizagem, mas de relacionamento com a educadora.

A todas as crianças é imposto um determinado padrão de rendimento que as levam a estados de ansiedade e comportamentos que não correspondem à sua verdadeira natureza.

É preciso respeitar o ritmo de cada criança, sem negligenciar a suas necessidades emocionais e intelectuais.

Colocar em causa a sua inteligência frente aos companheiros é envergonhá-la a uma escala que nem os adultos podem perceber, uma vez que a criança ainda não tem a noção do certo e do errado, e para ela, o que está a fazer está certo.

Para além disso, vai estar a dar motivos para que os companheiros gozem com ele sobre essa situação, porque as crianças podem ser muito cruéis, perturbando a sua auto-confiança.

É necessário levar a criança a fazer as coisas por ela mesma, cultivando a sua curiosidade, desenvolvendo o carácter e fomentando a criatividade, o que se revelará em menores problemas de aprendizagem

Em relação ao papel dos pais, não podem estar à espera que seja a escola a ensinar tudo aos filhos. Cabe-lhes conversar com a educadora e tirar as suas próprias conclusões, não aceitando como verdade absoluta o que lhe é dito e pedindo sempre segundas opiniões. Deve sempre elogiar a criança quando ela fizer algo de bonito ou ajudá-la sem que tenha sito requisitada a sua ajuda. Todas as crianças gostam de se sentir úteis.

O processo de desenvolvimento da criança é complexo e tudo o que for feito se irá repercutir no futuro.

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