A Agressividade Infantil

O seu filho revela umas atitudes demasiadamente rebeldes, impulsivas e agressivas. Os seus súbitos ataques de raiva fazem-na temer pelo futuro, mas nem sempre a fúria é negativa. Os pais não sabem muito bem o que se passa. Os filhos andam muito irrequietos, agressivos e parecem estar a reagir com muita arrogância. Preocupados, os pais acham que se pode estar a passar alguma coisa e não compreendem tanta agressividade. Embora não saiba, as crianças devem revelar um pouco da agressividade que guardam dentro de si. Se não é saudável guardarem-na, também não é saudável a soltarem a todo o momento, mas se esta for equilibrada até é bom para combater o stress.

Logo à nascença, a criança solta o seu grito de agressividade. O primeiro grito de muitos outros que se seguirão, sem motivo aparente ou que pelo menos os pais não conseguem identificar qual o motivo, para além dos gritos de dor e de fome. Quando se zangam por coisas mínimas e inexplicáveis, é sinal que estão a fazer um teste aos próprios pais para ver até onde é que lhes é permitido ir. Não há necessidade de os pais se irritarem logo após a primeira birra, pois se não se mostrarem interessados os filhos, em seguida, acabam com a choradeira.

As crianças que são muito calmas, pacíficas e que nunca demonstraram a mínima irritação em relação a nada, são crianças apáticas e tristes. O facto de as crianças nunca se irritarem com nada é sinal que guardam tudo para elas, e que reprimem os seus sentimentos e mágoas. Estas crianças são muito tristes, pouco ou nada falam e começam a ter muito medo das coisas e do próprio mundo. Os pais devem compreender se o filho está com algum problema, ou se é mesmo da personalidade dele.

Há que perceber que a agressividade é diferente da violência. A agressividade é um tipo de reacção normal, mas a violência é já característica de uma outra parcela de crianças. Habitualmente, as crianças agressivas têm reacções de rebeldia, respondem mal e protagonizam gestos agressivos, mas nunca atingem o patamar da violência. Às crianças violentas está ligada a explosão repentina de muitas mágoas e episódios que guardaram para si, e que só agora conseguiram expandir. Isto retrata um tipo de preocupação e de controlo totalmente distinto da agressividade.

As crianças agressivas utilizam essa agressividade como forma de se defenderem do que as rodeia, e não necessariamente porque tenham instintos ou pensamentos violentos. Por isso, os ataques de berraria e de "reivindicações infantis" não passam de uma defesa e de um jogo elaborado inconscientemente pelos mais novos, para testarem a sua importância familiar e os limites daqueles que os rodeiam. Os pais, ao serem mais repressivos e menos benevolentes, têm já que estar preparados para as trocas de palavras menos carinhosas e mais chocantes por parte dos seus filhos. Deve ser benevolente com ele, mas com determinados limites. A criança tem que perceber que há alturas nas quais os seus desejos podem ser-lhe concedidos, embora em outras situações isso não possa suceder. Não lhe explique o motivo porque a criança não pode fazer alguma coisa de maneira autoritária. Utilize um caminho informal e de fácil entendimento para ele, alegando sempre coisas boas para o crescimento dele caso ele não faça o que deseja.

Se julga que o seu filho é muito agressivo, fique a saber que essa agressividade tem o seu lado positivo. Expulsa as suas tensões e nervos internos, e essa agressividade é um dos caminhos para perceber se não há problemas de maior com o seu pequeno mundo. Motivo para preocupação é se a criança for demasiadamente certinha, calma e pacífica. Por detrás dessa solidão está sempre uma enorme tristeza e mágoa interior. Acompanhe e tente perceber todas as reacções do seu filho, pois todas elas possuem uma leitura importante e útil para poder compreendê-lo.

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