Crianças gordinhas ou o inicio da obesidade infantil

Se um bebé rechonchudo é bonito de ver, o mesmo já não acontece com as crianças gordinhas quando ficam mais crescidinhas.

Os avós gostam das crianças gordinhas

Embora os avós ainda considerem que gordura é formosura, a fórmula já não funciona nos nossos dias. Para além dos problemas de saúde que o excesso de peso acarreta, juntam-se também os problemas sociais de segregação e muita troça por parte de amigos e colegas e no futuro problemas em encontrar emprego.

Graus de obesidade Infantil

Existem três graus de obesidade infantil, segundo os endocrinologistas:

  • a leve, em que a criança tem de 20 a 49% mais do que o seu peso ideal,
  • a moderada, com mais do dobro do seu peso normal
  • a grave, onde o peso pode triplicar.

A solução não passa por proibições e restrições alimentares, muitas vezes com dietas inventadas ou a partir de conselhos de amigos e parentes.

A obesidade tem de ser encarada como um problema grave, apenas curável com um diagnóstico identificativo das razões do problema e uma planejada terapia interdisciplinar, permitindo-lhe perder peso, sem perder a alegria de ser criança e o prazer de comer, acompanhadas por exercício físico próprio para a idade e sem se tornar apenas mais um tormento.

Mesmo sendo uma criança alegre e brincalhona, a criança gorda tem problemas de autoestima e de imagem, mais que não seja quando colocada perante as críticas dos que a rodeiam.

Alguns pediatras consideram que os pais devem consultar um especialista assim que detetem peso acima do normal para a idade, porque quanto mais cedo for detectado o problema melhor será resolvido e causará menos problemas à criança.

As crianças gordinhas estão também sujeitas a enfartes, porque possuem altos níveis de colesterol prejudicial, que aumenta o risco de formação de placas de gordura nas artérias.

Muitas vezes o problema não está no que se leva à boca, mas a problemas genéticos ou à predisposição para a obesidade. É o pediatra que irá descobrir as causas aplicando as estratégias mais adequadas para lidar com o problema, analisando cuidadosamente cada caso.

A vida sedentária coloca o problema da reduzida actividade metabólica, não queimando as calorias que se ingerem e que acabam por se acumular, especialmente quando os programas televisivos são acompanhados por petiscos como chocolates, pipocas ou biscoitos.

Muitos pais mantêm a ideia de que a criança gorda perderá peso durante a puberdade, o que é falso. Sem uma reeducação alimentar, apenas 30% das crianças gordinhas perdem peso nessa altura.

No entanto, o mais importante é a motivação da criança para emagrecer (aliás como para com todos os adultos). Ela precisa de estar bem informada para aceitar um programa de emagrecimento, e não uma mera dieta, acompanhada de actividade física e apoio psicológico.

Aqui a ajuda dos pais é indispensável, podendo mesmo criar jogos lúdicos que acompanhem os programas escolares, como o cálculo mental de quantas calorias está a ingerir numa fatia de pizza ou um hamburguer.

Os exercícios físicos também devem ser escolhidos com rigor, porque não devem forçar as articulações ou a coluna, pelo que não se aconselham as artes marciais, embora sejam precisamente estas que mais atraem os petizes.

As caminhadas longas, acompanhadas pelos pais, farão bem a ambas as partes.

Nadar, pedalar são outros dos exercícios mais aconselhados para perder peso. 15 minutos de caminhada queimam 77 calorias, pedalar durante 28 minutos, queima 180 calorias e nadar 10 minutos queima 106 calorias, o mesmo que correr seis minutos.

Os pais de crianças gordinhas têm também de ser ensinados quer a lidar com os alimentos, quer a enfrentar a ansiedade da necessidade de emagrecer. Fontes de tensão sobre o assunto, apenas vão fazer a criança comer cada vez mais, compulsivamente, por ansiedade, o que leva ao aumento cada vez maior de peso.

Os hábitos alimentares da família podem ser outra das causas da obesidade nas crianças e adolescentes. Refeições muito fartas, maus ou inexistentes pequenos-almoços, lanches vários com muitos doces, contribuem para o excesso de peso.

Alguns passos são essenciais para ajudar a manter o peso e a cuidar da saúde das crianças gordinhas:

  • De forma a libertar toxinas, deve beber muita água, pelo menos oito copos por dia.
  • Não omita refeições, porque não ajudam em nada a perda de peso, antes pelo contrário, o organismo com menos calorias reduz o ritmo de queima, de forma a conservar todos os nutrientes, o que leva à acumulação de gorduras.
  • Use e abuse dos produtos integrais e ricos em nutrientes, que mantêm os níveis de glicose e de energia, ao mesmo tempo que o desejo de comer é eliminado.
  • O pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia, pelo que deve ser farto e com cereais integrais.
  • Quando comprar produtos verifique no rótulo a porção de calorias, gorduras, açúcar e sódio.
  • A alimentação está a seu cargo, pelo que deve incluir sempre vegetais, legumes, fruta e alimentos integrais, se possível cozinhados a vapor. Ajude o seu filho a deixar para trás os alimentos açucarados e refrigerantes.
  • Evite a manteiga e outras gorduras na confecção dos alimentos, e ponha de parte os pratos com natas e molhos, que são sempre uma tentação.
  • Para cozinhar carne, retirando-lhe parte da gordura, forre a panela com pedaços de cenouras, salsichas e cebolas.
  • Cozinhe sobre este fundo, o que dará um gostinho especial, mas não o consuma porque serve apenas para absorver as gorduras.
  • Um truque simples para reduzir a velocidade a que se come, é fazer a criança comer com a mão contrária à que habitualmente utiliza, mas apresentando este fator como um jogo. Isto vai levá-la a comer menos.
  • Outro conselho dos especialistas para os pais de crianças gordinhas é deixar a criança comer o que quiser durante as refeições e servir-lhe outro prato se ela quiser repetir, mas não dar nem um rebuçado fora da hora das refeições.

Uma criança gordinha, nem sempre quer dizer saudável, mas cabe aos pais mantê-la gordinha e sã.

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