A gravidez gemelar

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Tida como um fenómeno biológico, a gravidez múltipla, para além da alegria dos pais, pode ser uma fonte de vários problemas para a mãe e para as crianças.

A gravidez gemelar deve ser acompanhada por obstetras e especialistas de forma a precaver qualquer problema, mas sem exageros. Muitas das parturientes assustam-se com o facto de estarem grávidas de gémeos embora na maior parte dos casos os bebés nasçam perfeitamente saudáveis.

A gravidez gemelar é mais propensa a complicações maternas como a anemia, hemorragias, hipertensão e infecções, entre outras. A anemia, corrente na gravidez comum, é mais frequente na gravidez gemelar porque se dá um aumento da rede vascular e da síntese das células sanguíneas que levam ao esgotamento das reservas de ferro da mãe.

Para uma grávida de gémeos é aconselhável um maior número de consultas pré-natais que devem passar a quinzenais a partir das vinte semanas e semanais a partir das trinta semanas.

A atenção deve focar-se no aumento de peso, da pressão arterial e aos movimentos fetais e não se dispensam as análises de sangue e urina que podem diagnosticar precocemente a anemia, infecções e outros problemas, acompanhado do máximo descanso para evitar o parto prematuro ou pré-termo.


O parto prematuro é extremamente frequente em gravidezes gemelares e, se bem que ainda não esteja bem definidas as suas razões, os especialistas apontam para a grande distensão do útero, a suportar dois fetos e duas placentas, que levam ao aumento da actividade uterina.

Acontece por vezes também a rotura prematura da bolsa de águas que pode colocar em risco a vida dos fetos e provocar infecções na mãe ou levar ao desencadeamento prematuro do parto.

Neste caso, os gémeos vão apresentar um baixo peso que se pode também ficar a dever a um atraso de crescimento intra-uterino, que pode afectar um ou os dois fetos e que se vai agravando progressivamente.

Este problema pode resultar da falta de espaço dentro do útero, da insuficiência da placenta para fornecer ao feto a alimentação ou de outros factores, que podem causar uma diferença significativa de peso e tamanho entre os dois bebés, sendo que o mais pequeno pode sofrer maiores complicações.


Uma anomalia algo comum que acontece no caso das gravidezes gemelares é a síndrome da transfusão feto-fetal, quando existem comunicações vasculares entre os fetos e um deles transfere o seu sangue para o irmão, e em casos extremos o dador acaba por morrer por anemia e o receptor por sobrecarga cardíaca.


Nas gravidezes gemelares existe também um indice mais elevado de malformações congénitas, sendo as doenças cardíacas e os defeitos do tubo neural as mais frequentes.

Na altura do parto pode acontecer que as fibras musculares do útero, esticadas ao máximo da sua capacidade não consigam contrair-se de forma a fechar os vasos sanguíneos que alimentam a placenta, o que causa graves hemorragias que vão afectar ainda mais a anemia. Quando isto acontece é injectada à parturiente a occitocina que ajuda à contracção do útero.


Qualquer que tenha sido a escolha para o parto (vaginal ou cesariana) é sempre recomendado o uso de anestesia epidural e durante o parto os batimentos cardíacos do bebé serão seguidos pelos médicos. Após o nascimento do primeiro bebé, é rompida a bolsa de águas do segundo e depois de retiradas as placentas, o útero é massajado para que se dê a sua contracção.


Embora os riscos estejam patentes na gravidez gemelar, um acompanhamento conveniente e alguns cuidados são, em regra, tudo quanto a futura mãe precisa para uma gravidez perfeita e uma aventura que começa a dobrar.

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